Premiunização de Bebidas Brasileiras

A nova tendência mundial é a premiunização de bebidas. Isto é, o consumo de bebidas de maior qualidade sensorial e que trazem experiências emocionais ao consumidor capazes de gerar conhecimento sobre o produto.


Tudo começou há alguns anos atrás com a transformação do consumidor de cerveja para cervejas artesanais. Muitas cervejarias apostaram e ainda apostam na inovação e visam surpreender o consumidor com receitas variadas, adição de maltes diferenciados, frutas, lactose, e até mesmo madeiras para agregar aromas e sabores atraentes.


Para destilados a tendência de premiunização não é diferente, apesar de ter iniciado há menos de 5 anos, há muitas destilarias brasileiras que estão apostando em cachaças premium, rum, gin e single malts de qualidade.




O setor de destilados brasileiros tem-se expandido com intensidade nos últimos anos. Novos e antigos produtores voltam seus esforços para a consolidação do mercado e partem principalmente pela qualidade, inovações no produto e marketing.


No cenário atual, a cachaça é o quarto destilado mais produzido em volume no mundo, e menos de 1% desse volume é exportado. Porém, quando falamos em Tequila, cerca de 50% do volume produzido vai para o mercado externo ao México; a exportação de Scotch whisky (Escócia) atinge 80% do total produzido; e na França, a exportação do Cognac, é mais expressiva ainda, sendo 97% da produção. Esses parâmetros nos permitem analisar o quão é importante visar uma estratégia para os destilados brasileiros, e o quanto ainda temos que nos esforçar para conseguir elevar a bebida nacional à nível mundial.


Por outro lado, o desenvolvimento do setor está extremamente expressivo. O maior exemplo de crescimento é o gin, bebida de origem holandesa e inglesa, entrou no Brasil com força nesses últimos 3 anos e em 2018 o país aumentou o consumo em mais de 400%. Isso é apenas reflexo do cenário mundial. Só na Inglaterra o número das destilarias triplicou em 5 anos e a diversificação dos produtos é o que chama a atenção do consumidor e define esta nova tendência mundial. Protagonista em diversos drinques refrescantes, aromáticos, amargos, cítricos, doces e elegantes; a versatilidade do gin faz sucesso na coquetelaria dos bares das grandes cidades do mundo e no Brasil é a bebida da moda! Mas o que de fato é esta bebida?


A definição pela legislação brasileira refere-se à bebida elaborada mediante a destilação do álcool etílico potável de origem agrícola com aromatizantes, tendo sabor predominante, o zimbro (Juniperus communis). No entanto, outros vegetais também podem ser adicionados, normalmente a semente de coentro (Coriandrum sativum), raiz de angélica (Archangelica officialis), cascas de cítricos: laranja (Citrus sinensis e Citrus aurantium) e de limão (Citrus limon), entre outros.


O interessante é que temos cada vez mais profissionais interessados a investir no mercado de drinks, coquetelaria e até mesmo na produção de uma bebida nacional premium. Já temos mais de 30 marcas de gins nacionais que disputam qualidade com grandes marcas importadas, tendo como diferencial a construção de marcas pautadas na inovação, valorização de botânicos nacionais e produção da bebida em pequenas escalas, o que confere maior especificidade e originalidade ao produto. O design, beleza da garrafa e rótulo não deixam a desejar quando comparado numa prateleira de produtos importados. Dessa forma, o sentimento despertado no consumidor é mais segurança na hora de arriscar provar um gin brasileiro ao invés das marcas já conhecidas mundialmente.


Outro ponto importante é que as gerações atuais estão cada vez mais dispostas em arriscar experimentar novas bebidas, e de marcas pouco conhecidas em busca de maior conhecimento sobre a categoria de produtos. A maioria dos gins premium possuem preço equiparado aos importados. Porém a atratividade permite frequentemente uma nova experiência.


O Brasil tem enorme potencial para produzir bebidas de excelente qualidade, com aromas e sabores diferentes dos tradicionais e atraentes para o mercado nacional e internacional. Contudo, ainda há necessidade de conhecimento e divulgação constante ao consumidor e da qualificação dos produtores.




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